sábado, 7 de julho de 2018

Índios Baianos Concorrem Vaga no Legislativo Estadual e Federal

Cacique Aruã Pataxó
Atualizado em 15/07/2018.

Os fazendeiros e oportunistas estão destruindo os povos indígenas para tomarem as terras.

Você já se perguntou: QUE graça tem o Brasil e a Bahia SEM os povos indígenas?



Votar em índios no Brasil significa escolher governantes engajados na redução das desigualdades sociais, contra a ganância dos fazendeiros e empresários, contra a corrupção, a exploração humana e a dominação estrangeira.

A resistência dos povos indígenas contra a crueldade, a dominação estrangeira, as falsas teorias sociais  e científicas (Eugênia, Poligênia, Darwinismo Social, Teoria do Branqueamento, Democracia Racial,...)  pode ser considerada o primeiro e mais antigo movimento social em funcionamento no Brasil. 

Neste ano, os eleitores baianos terão opção  indígena nas urnas. O cacique Aruã Pataxó é pré candidato a deputado estadual pelo PCdoB e como pré candidato a deputado federal, o cacique Ramon Tupinambá (REDE).

O cacique Aruã tem experiência na vida pública. Ele foi vereador e é conhecido pelo eleitorado baiano. Segue breve biografia feita por ele

"Sou o Cacique Aruã, presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia, também sou do Movimento dos Povos Indígenas da Bahia - Mupoiba. Em 2014, os povos indígenas, me apresentaram enquanto candidato a deputado estadual, obtive nas urnas 6.402 votos. Agora, em 2018, o meu nome está novamente a disposição dos baianos, para a candidatura a deputado estadual."

Dentro de muitos brasileiros vive um índio. Mas a mentalidade de alguns brasileiros continua pensando os índios a partir dos preconceitos usados pelos europeus, séculos passados, para dominarem. No Brasil, muitos podem não ser índio no sangue mas se tornam através das condições socioeconômicas de sobrevivências ou pela discriminação social, étnicas e política.

Muitos brasileiros entendem os índios como um povo fascinante que existiu no passado e vive bem distante. Mas na verdade o índio circula nas próprias veias de muitos que desconhecem suas raízes étnicos-culturais. Carregam o sangue indígena mas não se reconhecem. O Brasil foi inventado para as pessoas desconhecerem elas mesmas.

O baiano, por exemplo, se gaba que o Brasil nasceu aqui mas abandona suas raízes étnico-culturais. Na Bahia nenhum índio se elegeu para cargos estaduais e federais até hoje.

Os eleitores baianos nunca elegeram um índio para deputado estadual e federal, senador e governador. Nesta questão a população do Rio de Janeiro se demonstra mais desenvolvida culturalmente e acolhedora do que a baiana. O único índio eleito a deputado federal no Brasil foi pelo Rio de Janeiro. Os baianos tem essa dívida com a própria história.

Este ano os eleitores baianos podem valorizar sua riqueza cultural, dando voz aos povos que lhes tornam fascinante. Vários índios moram pelas cidades, por isso, os líderes dos movimentos indígenas precisam ampliar suas propostas de lutas políticas.

O site conversou com o pré candidato a deputado estadual (PCdoB), o cacique Aruã Pataxó. Segundo ele, buscará o apoio do eleitorado através do contato direto, "nosso projeto político é para toda a Bahia e dentro das nossas possibilidades, vamos visitar o máximo de lideranças, comunidades, assentamentos, acampamentos, pessoas da zona rural e da cidade, a fim de construirmos um projeto que possa representar a todos os baianos", diz o Cacique Aruã.

Das cidades ao campo, milhões são parentes dos índios. Mas infelizmente não se comovem com o sofrimento do próprio sangue. Se observar as estatísticas socioeconômicas de cada cidade, muitas pessoas que moram em bairros pobres, as vítimas da violência urbana e do tráfico de drogas, os detidos nos presídios, os que estudam em escolas públicas, os que possuem baixa escolaridade são descendentes indígenas.

Diante das desigualdades sociais Aruã afirma que os "militantes do nosso projeto político, mãos entrelaçadas por um objetivo comum, terá a sua voz ecoada no legislativo estadual, na luta pela garantia de direitos, para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos da Bahia. Faça a sua e a nossa militância, na familia, nos vizinhos, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade e em todos os cantos da Bahia, a fim de concretizarmos juntos o nosso projeto, Cacique Aruã, para deputado estadual."

Não existe democracia em um país que nega representação da diversidade étnica-cultural nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Excluir uma parte étnica das decisões importantes da administração pública é construir um país injustos, para garantir os confortos de poucos em detrimento do sofrimento da maioria. Não se pode chamar essa sociedade democrática. Porque cala a voz daqueles que ela nega legal e brutalmente os direitos básicos à sobrevivência.

O cacique Aruã, ao contrário do que muitos pensam sobre os índios, apresenta uma compreensão ampla sobre a política. Ele defende que sua pre candidatura luta pelos interesses dos baianos e em especial dos povos indígenas. Conclama que "precisamos nos unir, principalmente os indígenas, formar alianças com toda a sociedade, nos diversos segmentos sociais, índios e não índios, para um projeto comum de sociedade", afirma Aruã. Sua luta na região é conhecida, hoje, ajuda organizar as comunidades para garantir os direitos como "na área do esporte, saúde, educação e sistema de abastecimento de água", sobretudo, com o "objetivo de fortalecer a agricultura familiar e geração de emprego e renda comunitária" diz ele.


Cacique Ramon Tupinambá
Além de Aruã, outro nome indígena  que está indicado como pre candidato a deputado federal, o cacique Ramon Tupinambá, pelo partido REDE.

Por outro lado, as pre candidaturas indígenas enfrentam a desinformação do eleitorado baiano. O qual só vem elegendo vários fazendeiros para cargos estaduais e federais. Colocando em ameaça as vidas dos índios, a diversidade étnico-cultural e a história do estado. Cadê a diversidade étnico-cultural da Bahia representada nos poderes constituídos como assembleia estadual, no congresso e no judiciário?

Aruã diz que com sua candidatura pretende unir "indígenas, não indígenas e simpatizantes da luta dos povos indígenas e movimentos sociais, na Bahia." Para fazer "a mobilização da militância, parceiros e aliados dos diversos segmentos sociais, tanto na zona rural, quanto na cidade. No objetivo de agregação de forças, em torno de ideias comuns, na formação de alianças, para o nosso projeto político, na candidatura (Cacique Aruã) a deputado estadual, nas eleições de 2018. Por isso, pedimos apoio a todos, na divulgação desse projeto político. Junte-se a nós, venha fazer parte desse projeto", finaliza o Cacique Aruã.



No Brasil hoje, nenhum índio é deputado estadual, federal, senador, governador nem participa do poder judiciário. Chama atenção também que várias universidades brasileiras muito pouco fizeram, durante décadas, para corrigir as injustiças e garantir o direito à vida para esses povos.

O novo Brasil nasce da escolha de cada eleitor. O meio do eleitorado mudar o Brasil é incluir os povos indígenas nos poderes públicos. Enquanto os eleitores deixarem os índios fora das decisões importantes, a sociedade continuará desigual e refém de um passado cruel e preconceituoso.


Caro leitor, se souber de outros candidatos indígenas na Bahia entre em contato com a redação ou deixe em comentário. Incluiremos sua dica na matéria.



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